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GRANDE CARNE ARGENTINA
Sinta o prazer de descobrir tesouros escondidos na cidade
POR ARMANDO COELHO BORGES (revista Veja)
Vá além das aparências. A Parrilla Argentina, lá na matriz, em toda sua glória e simplicidade, pode estar em casas requintadas ou em ambientes singelos. Aqui em São Paulo, onde muitos clamam pelo mesmo direito, sabe-se que o bom churrasco não nasce para todos. Nem respeita decoração.
Veja-se o Parrilla Argentina. É reduto de aficionados. Lugar pequeno, acanhado, mesas muito juntas, serviço esforçado, fora do circuito dos restaurantes. Mas quem gosta sabe.
E tem razões para retornar, mesmo com dificuldade de obter mesa. A carne resfriada, e não congelada, está cada vez mais presente e mais bem preparada. Bife ancho, bife parrilheiro e vacio (fraldinha), devidamente malpassados, incluem-se entre os grandes cortes da cidade. Usa-se pouco sal. No cardápio, o tomate da casa com alcaparra gigante e os vegetais grelhados surpreendem. Sobremesas ótimas, destacando as panquecas de maçã, realmente imperdíveis.
Mais motivos para voltar. O proprietário, Marcus Gancedo, toma conta do lugar, com a família, e é entusiasta dos vinhos. Na carta com mais ou menos 500 rótulos predominam argentinos de raça, servidos na temperatura certa. Os mais raros podem custar caro (a média é R$33,00). Há meias garrafas muito convenientes para quem bebe só.
A cerveja uruguaia Norteña colabora para mitigar a sede. Nas paredes, ilustrações argentinas, sendo algumas do célebre Molina Campos, dos calendários da Alpargatas nos anos 30 e 40, satirizando os pampas.
Esta Parrilla Argentina, assim como o singelo Martin Fierro são dois tesouros do grelhado portenho que a cidade, enciumada, esconde.
Veja São Paulo, 05 de abril, 2000
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